O muro de concreto separa os vivos dos mortos...
Muitos temem entrar aqui, se mudar pra cá, já outros querem sair... viver novamente lá fora para sentir coisas, gostos e até dor. Todos descansam entre flores e folhas de papéis escritos por entes queridos, mas até quando? Eles logo esquecem ou não querem se lembrar. Aqui os cheiros se misturam... flores velhas, murchas e podres, flores novas recém saídas das floriculturas. Porque acham que as flores amenizam nossa dor, nossa solidão?


Vemos novos moradores chegando. Alguns vem desolados, perdidos e outros nem sabem que fizeram a passagem para outro mundo e nem querem saber. Ficam horas em frente a sepultura com um olhar perdido e vêem os parentes e amigos lamentando...ouvem o sermão do padre, lutam para voltar e não querem deixar entes, amigos, animais e até dinheiro... ainda estão muito apegados aos bens materiais. E aqueles que anseiam por vingança...
Ahhh! Esses são um problema... causam malefícios, não aceitam regras, querem voltar a todo custo para terminar algo e então ficam perdidos no mundo dos vivos, desolados, penando...
A noite é sombria, o vento sopra por entre a alameda de ciprestes, por entre as lápides corroídas pelo tempo e o silêncio é terrível. Parece uma atmosfera fora do tempo e espaço banhada por aves noturnas que fazem uma sinfonia discordante e lúgubre.
Aqui onde estou vejo apenas as luzes ao longe, luzes de vida pululando, de barulho...
Ai, ai, ai... aprende-se a esquecer não é?
Afinal, resto é resto e no fim a gente acostuma.
R.Raven.

































